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Especialistas apontam 5 aspectos essenciais para adaptação à NR-01

30 de abril de 2026
Exame

A fiscalização da Norma Regulamentadora N° 1 (NR-01) começa no dia 26 de maio, daqui a menos de um mês. É urgente a necessidade de empresas brasileiras se adequarem às novas exigências que incluem, obrigatoriedade de mapear, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Urgente não só pelo período curto até a vigência, mas por conta dos resultados de pesquisas do Ministério da Previdência Social em 2025. O Brasil registrou 546.254afastamentos por transtornos mentais, um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior, com ansiedade e depressão sendo as principais causas. 

“O ano de 2026 marca um ponto de virada importante para a NR-1. A norma amplia o olhar sobre os riscos psicossociais e exige que as organizações atuem de forma mais estruturada e preventiva”, diz Ricardo Mattos, CEO da Vetor Editora, empresa do grupo Giunti Psychometrics.

No evento criado pela empresa para discutir a questão, o Summit NR-01, especialistas em saúde ocupacional e saúde mental compartilharam 5 passos vitais para as organizações que ainda não se adequaram à norma. 

 

1. Entender o impacto direto na liderança

“A NR-01 impacta diretamente as lideranças ao exigir que riscos psicossociais, como assédio, excesso de demandas, falta de autonomia e baixa previsibilidade, sejam identificados e gerenciados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), posicionando os gestores como responsáveis pela prevenção de estresse e esgotamento nas equipes.

Líderes contam com ferramentas práticas, como escuta ativa, mapeamento de sinais precoces, como absenteísmo ou queda de engajamento, e protocolos de intervenção rápida, enquanto um plano de ação pode incluir diagnóstico inicial, treinamentos, ajustes organizacionais e monitoramento contínuo para resultados tangíveis”.

Foi o que explicou Izabella Camargo, jornalista e especialista em saúde mental no trabalho, reconhecida por sua trajetória na comunicação e por liderar o debate sobre a Síndrome de Burnout no Brasil.

 

2. A gestão de riscos ocupacionais precisa estar integrada à rotina da empresa

“Para os psicólogos organizacionais, o olhar sai apenas do acolhimento do sofrimento e passa a atuar na prevenção, conectando escuta qualificada, análise da organização do trabalho e construção de medidas concretas de controle. 

A saúde mental deixa de ser tratada como reação ao problema e passa a compor a estratégia de gestão, com inventário de riscos mais preciso, planos de ação mais efetivos e intervenções possíveis já no já no dia seguinte”

Ponderou Rogério Muniz de Andrade, Clínico Geral e Médico do Trabalho, Chefe da Clínica de Doenças do Trabalho do Hospital das Clínicas da FMUSP e professor do Curso de Pós-graduação em Medicina do Trabalho da FMUSP. 

 

3. A comunicação dos resultados precisa ser estratégica

Anna Carolina Neves considerou: “No ambiente digital, o rigor científico começa na escolha de instrumentos psicométricos validados e na leitura responsável dos dados, garantindo que o diagnóstico de riscos psicossociais seja confiável, comparável e útil para a tomada de decisão. 

Isso permite transformar percepções dispersas em indicadores quantitativos consistentes, capazes de revelar o contexto laboral, os impactos emocionais do trabalho e a relação entre percepção organizacional, bem-estar e retenção de talentos. 

Ao mesmo tempo, a comunicação dos resultados precisa ser estratégica e segmentada, traduzindo evidências técnicas em mensagens claras para lideranças, RH e equipes, de modo que os achados apoiem ações concretas e fortaleçam uma cultura de prevenção”, complementa a Psicóloga, mestre em Psicologia com ênfase em Avaliação Psicológica.

Anna Carolina Atua no departamento de Produtos e Pesquisa da Vetor Editora. É coautora do teste Atenção Online (AOL) e dos manuais técnicos atualizados do Teste Não Verbal de Inteligência R-1 e do Teste Palográfico. Docente em cursos de extensão e pós-graduação.

 

4. Falar de fatores psicossociais é essencial 

“Esses fatores psicossociais representam as condições objetivas do trabalho que impactam diretamente a saúde mental, indo além de questões individuais para prevenir estresse, burnout e turnover. 

A NR-01 estabelece o marco legal ao exigir sua inclusão obrigatória no PGR e no GRO, transformando a gestão de riscos em processo contínuo com inventário e plano de ação que psicólogos organizacionais organizacionais ajudam a construir com rigor. 

Ferramentas de avaliação validadas, combinadas com triangulação de evidências, com questionários, entrevistas e indicadores, geram diagnósticos precisos e acionáveis”, complementa o médico do trabalho Akio Mariya, especialista em saúde ocupacional e Diretor Médico na P&G para a América Latina.

 

5. Estratégias de engajamento em saúde mental transformam a prevenção em prática cotidiana

“É importante ter planos de ação claros para a manutenção do bem-estar que integram a NR-01 ao dia a dia organizacional. 

Comitês de saúde mental, aliados ao desenvolvimento de lideranças capacitadas, promovem segurança psicológica essencial para o engajamento autêntico das equipes, criando ambientes ambientes onde as vulnerabilidades são acolhidas. 

O suporte imediato para crises complementa protocolos preventivos e reforça a cultura de cuidado proativa e sustentável nas companhias”, conclui Erica Hokama, Psicóloga, doutora e Mestre em Psicologia da Saúde, especialista em Psicopatologia e Saúde Pública. 

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